Com o alto patrocínio de Sua Majestade, a Rainha, as
Leituras no Mosteiro prosseguem a sua circum-navegação ao grande teatro do mundo com uma armada de textos em língua inglesa. Depois de escalas recentes na Alemanha, Rússia, Áustria ou Itália, o programa deste trimestre celebra a anglofonia. Como tem sido hábito, colocamos lado a lado um clássico e um contemporâneo, sublinhando assim passagens de testemunho no interior de um mesmo território geográfico e ficcional. Lemos
Delirium (2008) de Enda Walsh com vista para
O Campeão do Mundo Ocidental (1907) de Synge, um dos pais fundadores do teatro irlandês e uma referência assumida no trabalho de Walsh. David Greig, ilustre representante da nova vaga escocesa, reencontra J.M. Barrie, que estreou
Peter Pan em 1904, peça que Greig reescreveu muito recentemente e que partilha com
Dudas em A Aventura de Dudas e o Relojoeiro (2006) a mesma atmosfera feérica. Por último, o riso faz a ponte entre a farsa macabra
Arsénico e Rendas Velhas (1941) de Joseph Kesselring e as pequenas relíquias de humor magoado contidas em
A Orelha de Deus (2007) de Jenny Schwartz, membro dos New Dramatists, projeto central na renovação da dramaturgia norte-americana.
Leituras grátis num lugar ameno: o último dos luxos pré-crise a que vamos tendo direito.