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Uma Europa cada vez mais grisalha pode estar a desabituar-se dos bebés


Data:  28-03-2010     Fonte:  Público



  A necessidade de ter mais filhos faz parte do discurso oficial europeu, mas os demógrafos estão mais preocupados em conter o crescimento populacional.

Desafios e oportunidades de um mundo novo onde deve haver muito menos pessoas.

No Leste europeu há cidades quase fantasma

A Europa vai ser menos povoada e mais grisalha. Em 2050, o Velho Continente será o mais envelhecido, num mundo em que, pela primeira vez na história, haverá mais pessoas acima dos 60 anos do que com menos de 15 anos. E neste planeta em que 21 por cento dos humanos terão passado já das seis décadas de vida, a opção de ter filhos será cada vez mais ponderada e, entre os europeus, talvez mesmo um pouco rara.

A Europa está a envelhecer, porque houve um espectacular aumento da esperança de vida ao longo do século XX, graças aos progressos da medicina, da alimentação e da higiene. Se no início do século a esperança de vida oscilava entre 30 a 45 anos, hoje a média planetária ronda os 67. E está a ficar mais vazia, porque os europeus começaram a ter menos bebés a partir da década de 1970 - quando começou o refluxo depois dos anos do pós-guerra, em que a humanidade cresceu como nunca, produzindo uma explosão populacional que deu nome à geração dos baby-boomers.

"A estrutura de idades dos países europeus está distorcida, devido ao baby boom que terminou nos anos 1960", explica ao PÚBLICO, por telefone, Wolfang Lutz, director do Instituto de Demografia de Viena (Áustria), um dos mais conceituados demógrafos europeus.

Tendência constante ao longo de todo o século XX foi o aumento da longevidade, ao ritmo de dois anos por década, diz Lutz. Assim chegámos ao momento em que, ao mesmo tempo que se projecta a continuação do crescimento da população mundial - devemos chegar a 9,2 mil milhões em 2050 -, se fala também na possibilidade de os países da União Europeia (UE) perderem 50 dos seus 500 milhões de habitantes em meados do século XXI. Isto, porque a população mais velha está a aumentar, e os casais não têm os 2,1 filhos estatisticamente necessários para repor as gerações - a média europeia anda em 1,5 filhos por casal.

"Em 2050 os países da União Europeia terão perdido cerca de 10 por cento da população. Só a Alemanha terá perdido 12 milhões e 30 por cento da sua população activa", disse ao PÚBLICO, por telefone, Reiner Klingholz, especialista em demografia do Instituto de Berlim para a População e o Desenvolvimento, um think tankque produz estudos sobre as mudanças demográficas.

Em Portugal, o oitavo país mais envelhecido do mundo, a fertilidade é de 1,3 a 1,4 filhos por casal, diz o sociólogo Manuel Villaverde Cabral, coordenador do Instituto do Envelhecimento, uma unidade de investigação criada em Novembro no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. "O que os demógrafos dizem é que, mantendo-se estas tendências, Portugal deverá perder dois milhões de pessoas até 2050, até porque presentemente tem pouco potencial atractivo de imigração - antes pelo contrário, está a crescer a emigração", explica.

Incógnita da imigração

Juntando todas estas pinceladas, pintamos mais um quadro negro de crise, desta vez populacional? "As populações europeias estão a envelhecer rapidamente, mas isto não quer dizer necessariamente que há uma crise populacional", responde, por e-mail, Tomas Sobotka, um demógrafo checo especialista em fertilidade europeia e tendências populacionais, que trabalha no Instituto de Demografia de Viena (na Áustria e na Alemanha, o envelhecimento é alvo de muita investigação e tornou-se um tema bastante discutido).

"As principais agências de estatísticas dizem que a população da Europa vai começar a diminuir nas próximas décadas. Não se prevê um declínio drástico, mas sim uma tendência gradual. E haverá enormes diferenças regionais, com muitos países a continuarem a crescer até bem depois de 2050. Mas a grande incerteza são as futuras tendências das migrações, que hoje asseguram a maior parte do crescimento da UE", diz Sobotka.

"Na última década (2000-2009), o crescimento da população na UE devido à imigração foi de 15 milhões de pessoas, o que é comparável ao número de nascimentos em três anos. Se este nível de imigração se mantiver, a população não deve diminuir e pode até continuar a aumentar", afirma o cientista checo.

Durante o século XX, a população humana triplicou, a uma velocidade nunca vista: levámos toda a nossa existência no planeta, até 1927, a crescer até dois mil milhões. Mas, em menos de 50 anos, duplicámos (em 1974). Passados 25 anos, em 1999, a humanidade cresceu outros dois mil milhões (atingimos seis mil milhões). Hoje, vivem na Terra mais ou menos sete mil milhões de pessoas e, em 2050, podemos ser 9,2 mil milhões. Se estamos a envelhecer, continuamos também a multiplicar-nos - embora o crescimento continue sobretudo nas nações mais pobres.

Os países que avançam no caminho do desenvolvimento têm também avançado na limitação de nascimentos e no envelhecimento - em 2050, a China será o país com mais pessoas acima dos 80 anos, tal como hoje. Mas enquanto em 2009 eram 18 milhões, em meados do século serão 101 milhões. Em 2050, 69 por cento da população mais idosa viverá nas regiões menos desenvolvidas.

Educar melhor

Entre o envelhecimento e a superpopulação, o que escolher?

O discurso sobre a necessidade de incentivar a natalidade, de levar os casais a ter filhos para combater o envelhecimento está na boca de todos os políticos, de todos os países - embora com diferentes níveis de sucesso. Isso é uma boa ideia?

"Diz-se que a taxa de fertilidade está baixa de mais; mas a questão tem sido colocada de forma errada", diz Wolfgang Lutz. "Quando os filhos são menos, a tendência é para investir mais na sua educação. Quanto mais elevado o nível de educação, mais altos serão os salários e as contribuições dessas pessoas para a economia, o que ajudará a garantir o pagamento das pensões. Tem de se incluir uma dimensão de qualidade, para além da quantidade de pessoas", afirma o cientista austríaco.

Klingholz concorda. "A educação é a chave para compensar os problemas demográficos a longo prazo; temos de conseguir tirar mais de menos cérebros", diz. "E se esperamos que as pessoas trabalhem mais que a actual idade da reforma - o que é inevitável -, temos de garantir formação ao longo da vida, para que elas não percam o emprego."

A educação é importante ainda por outro motivo: a saúde. "Em qualquer ponto do mundo, as pessoas que têm um nível mais alto de educação têm uma saúde melhor aos 70 anos." Os mais velhos de amanhã, de meados do século, que hoje têm 20 anos, terão no mínimo cumprido o ensino secundário. "Serão idosos com níveis de educação mais elevados e, logo, mais saudáveis do que muitos baby-boomers que estão a chegar à idade da reforma", diz Lutz.

"Continuam a nascer 230 mil bebés por dia no mundo. Na Europa, não devíamos tentar ter mais bebés para aumentar a taxa de fertilidade para além dos dois filhos por casal, e isso apenas nos países onde a fertilidade é muito baixa, abaixo de 1,5. Se for acima desse valor, mais a imigração, a população europeia cresceria, e não há necessidade disso", diz Reiner Klingholz.

A armadilha

Mas há de facto perigos, quando os países têm uma taxa de fertilidade abaixo de um certo nível, possivelmente 1,5. Podem ver-se presos naquilo que Wolfgang Lutz designou a "armadilha da baixa fertilidade", a partir de vários estudos utilizando dados de inquéritos do Eurobarómetro: os países podem entrar num circuito fechado de crescimento negativo de onde é muito difícil escapar, porque a baixa natalidade acaba por ser reforçada pelas normas sociais. Isso pode já estar a acontecer na Alemanha e na Áustria, defende a equipa de Lutz.

Adultos que não tiveram irmãos, ou foram criados em famílias pequenas, habituam-se a considerar isso a norma. Deixam de sonhar com as grandes famílias tradicionais - os sete filhos do capitão Von Trapp do filme Música no Coração tornam-se mesmo só uma fantasia - e passam a ter como número de filhos ideal uma quantidade bem próxima do que já é a realidade (1,7), ao contrário do que acontece nos países mediterrânicos, onde os casais continuam a sonhar com famílias grandes, apesar de terem muito poucos filhos.

As pessoas de países com baixa natalidade podem, simplesmente, deixar de se interessar por ter muitas crianças nas suas vidas.



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