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O processo de envelhecimento


CCEB / Portal do Avô
Data:  Julho, 2008



Conceitos de Envelhecimento

  Foi sobretudo a partir da segunda metade do século XX que emergiu um novo fenómeno nas sociedades desenvolvidas. O envelhecimento demográfico, que traduz o aumento preocupante do número de pessoas idosas.

  As alterações demográficas do último século, que se traduziram na modificação e por vezes inversão das pirâmides etárias, reflectindo o envelhecimento da população, vieram colocar às famílias e à sociedade em geral, desafios para os quais não estavam preparados.

  O Envelhecimento pode ser analisado sob duas grandes perspectivas:

  Individualmente: o envelhecimento assenta na maior longevidade dos indivíduos);

  Colectivamente: O envelhecimento demográfico define-se pelo aumento da proporção das pessoas idosas na população total. (INE, [2000]).

  Envelhecer com saúde, autonomia e independência, o mais tempo possível, constitui assim, hoje, um desafio à responsabilidade individual e colectiva, com tradução significativa no desenvolvimento económico dos países.

  O envelhecimento não é um problema, mas uma parte natural do ciclo de vida, sendo desejável que constitua uma oportunidade para viver de forma saudável e autónoma o mais tempo possível, o que implica uma acção integrada ao nível da mudança de comportamentos e atitudes da população em geral e da formação dos profissionais de saúde e de outros campos de intervenção social, uma adequação dos serviços de saúde e de apoio social às novas realidades sociais e familiares que acompanham o envelhecimento individual e demográfico e um ajustamento do ambiente às fragilidades que, mais frequentemente, acompanham a idade avançada.

  O fenómeno do envelhecimento populacional, originalmente conhecido apenas nos países desenvolvidos começa ultimamente a ser notado nos países em vias de desenvolvimento. Este fenómeno deve-se ao aumento da expectativa de vida, ao declínio da taxa de natalidade e ao declínio da mortalidade prematura, principalmente devido às melhores condições gerais de vida da população após a Revolução Industrial.

  O fenómeno do envelhecimento populacional global está transformando diversos aspectos da sociedade. Se muito do sucesso da longevidade se deve à tecnologia médica mais eficiente: novas vacinas, novas drogas, novas técnicas cirúrgicas, melhor compreensão de aspectos do envelhecimento etc., não se pode dizer o mesmo da tecnologia utilizada diariamente por pessoas, como caixas Multibanco, meios de transporte, dispositivos para o lazer etc., não adequados às limitações de pessoas mais idosas. Muito se tem ouvido das implicações do fenómeno do envelhecimento e seu impacto económico, político e social, mas pouco ou quase nenhum esforço tem sido realizado para adaptar o meio (mobiliário, ritmo, ambiente, ferramentas de trabalho, equipamentos de uso diário etc.) ao idoso e às dificuldades que apresenta.

  Considerações gerais acerca do envelhecimento:

  O envelhecimento é um processo complexo e universal sendo comum a todos os seres vivos.

  Pode ser considerado como um processo contínuo, podendo no entanto observar-se uma evolução mais rápida ou, pelo menos, mais notória nas últimas fases da vida do homem.

  O processo de envelhecimento, é diferente de indivíduo para indivíduo. No entanto, embora dependendo da forma e efeitos que provoca, é inevitável e observável em todos os seres humanos.

  O envelhecimento diz respeito a todas as modificações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas que aparecem como consequência da acção do tempo sobre os seres vivos.

  É importante salientar que essas modificações são gerais, podendo-se verificar em idade mais precoce ou mais avançadas e em maior ou menor grau, de acordo com as características genéticas de cada indivíduo e com o modo de vida de cada um.   Exemplo: a alimentação adequada e equilibrada, a prática de exercício físico, estimulação mental, stress, o apoio psicológico e o envelhecimento são alguns factores que podem retardar ou minimizar os efeitos da passagem do tempo.

  O envelhecimento humano pode então ser definido como o processo de mudança progressivo da estrutura biológica, psicológica e social dos indivíduos que, iniciando-se mesmo antes do nascimento, se desenvolve ao longo da vida.

Lidz (1983) caracteriza o envelhecimento em três fases sucessivas, podendo, no entanto, o idoso não chegar a atingi-las todas, ou pelo contrário, atingi-las em simultâneo.

  A primeira fase denomina-se Idoso. Nesta fase não existem grandes alterações orgânicas: as modificações observam-se no modo de vida provocado pela reforma; o indivíduo ainda se considera capaz de satisfazer as suas necessidades.

  A segunda fase é designada por Senescência. Ocorre no momento ou quando o indivíduo passa a sofrer alterações na sua condição física ou de outra natureza que o levam à necessidade de ter de confiar nos outros, correspondendo a uma velhice avançada.

  Por último, surge uma terceira fase Senilidade. Nesta fase o cérebro já não exerce a sua função como órgão de adaptação, o indivíduo torna-se quase dependente e necessita de bastantes cuidados completos.

  Factores que contribuem para a forma como envelhecemos:

  Factores internos / individuais (biológicos, genéticos e psicológicos);

  Factores externos (comportamentais, ambientais e sociais).

  Os factores individuais podem contribuir para a ocorrência de doenças ao longo da vida, no entanto, em muitas situações, o declínio das funções está intimamente relacionado com factores externos, como por exemplo, o aparecimento de depressões e os fenómenos de solidão e isolamento de muitas pessoas idosas.

  A saúde é, assim, o resultado das experiências passadas em termos de estilos de vida, de exposição aos ambientes onde se vive e dos cuidados de saúde que se recebem, sendo a qualidade de vida, nas pessoas idosas, largamente influenciada pela capacidade em manter a autonomia e a independência.

  Autonomia é a capacidade percebida para controlar, lidar com as situações e tomar decisões sobre a vida do dia-a-dia, de acordo com as próprias regras e preferências.

  A Independência é habitualmente entendida como a capacidade para realizar funções relacionadas com a vida diária – ou seja, a capacidade de viver de forma independente na comunidade, sem ajuda ou com pequena ajuda de outrem. As actividades da vida diária incluem, por exemplo, tomar banho, alimentar-se, utilizar o W.C. e andar pela casa. As actividades instrumentais da vida diária, incluem actividades como ir às compras, realizar tarefas domésticas e preparar as refeições.

  Estes dois conceitos (independência e autonomia), têm a vantagem de mostrar as diferentes combinações possíveis, que podem acontecer ao idoso. Assim este pode, ser:

  Autónomo e independente, não necessita do auxílio de terceiros para as suas actividades diárias;

  Dependente e autónomo, pode ter necessidade de ajuda para realizar as actividades de vida o que lhe provoca dependência, mas manter a autonomia, porque decide o seu modo de vida;

  Independente e não autónomo, esta perda de autonomia surge quando é interdito ao idoso a escolha de regras do seu comportamento, não por uma situação de dependência, mas porque é interdito ao idoso fazer escolha das regras das suas actividades, não por incapacidade, mas porque se encontra inserido numa instituição (Lar, Hospital), onde o indivíduo não depende perde parcial ou totalmente a sua autonomia;

  Dependente e não autónomo, necessita de ajuda para realizar as suas actividade de vida e está institucionalizado.

  Em situações de dependência, é fundamental fazer-se a avaliação das necessidades em que o indivíduo necessita de ajuda, respeitando e incentivando a autonomia e a independência.

  Como já foi referido, o envelhecimento é um fenómeno que pode ser apreendido a diversos níveis.

  Antes de mais biológico, porque os estigmas da velhice, de certa forma mais palpáveis, se traduzem com a idade por um aumento das doenças, por modificações do aspecto e imagem (cabelos brancos, rugas) e pela forma de nos deslocarmos (lentificação dos reflexos, perda do equilíbrio). Existe ainda a perda da capacidade reprodutora, declínio físico (diminuição da visão e audição, redução da respiração);

  Ao nível social, a passagem à reforma, o ser avô, a morte dos pais, a viuvez, o depender de terceiros são acontecimentos que provocam a mudança de estatuto. De igual forma, todos os acontecimentos quer sejam históricos, políticos, económicos ou tecnológicos irão orientar e influenciar o desenrolar do envelhecimento.

  Finalmente, a dimensão psicológica, implica modificações das actividades intelectuais e das motivações: sensação de declínio, sensação de que já não são capazes de se envolverem noutro tipo de actividades, auto-desvalorização, "sabedoria", compreensão do significado das "coisas da vida";


Fontes: Theodore Lidz (1983),A Pessoa - Seu desenvolvimento durante o ciclo vital, Editora Artes Médicas

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